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Hospital da Divina Providência (1796-1823)

Ao primeiro esboço de hospital, vai seguir-se aquele que deveremos designar por primeiro Hospital da Divina Providência. Prosseguindo e aumentando o fervor dos fiéis, que mostrava, segundo as palavras do relato de 1806, como era apropriado, "o nome que se deu ao dito Hospital da Divina Providência", a Misericórdia procurou casa própria para nela se estabelecer um hospital, já que era impróprio mantê-lo num espaço alugado, e também exíguo para as necessidades que se deveriam sentir para o seu bom funcionamento e para o acolhimento de todos aqueles que precisavam dos seus serviços. Os contributos recolhidos permitiram comprar, em 3 de Agosto de 1796, uma casa, pela quantia de 500$000 réis, situada na Praça Velha, que pertencia a José Manuel Pinto e sua mulher Josefa Joaquina Chaves, de Lamego. Adquirida a casa, e devido ao mau estado em que se encontrava, foram feitas obras devido ao "zelo dos irmãos".Terminadas as obras, e com condições de receber os doentes, a Santa Casa da Misericórdia organizou o seu transporte com toda a solenidade em 16 de Agosto de 1796, dando assim princípio ao primeiro Hospital. A casa comprada para hospital foi aumentada com uma nova enfermaria feita num "terrado" que lhe pertencia, devido ao empenho do provedor António José de Azevedo Pinto, possuindo também um oratório muito decente, feito devido ao zelo e esmolas dos irmãos da Santa Casa da Misericórdia.

Aumentadas as possibilidades económicas do Hospital da Divina Providência, foi possível comprar a José Dias da Silva e irmãs, uma outra casa, na Praça Velha, destinada aos soldados enfermos, ficando assim o hospital constituído por duas casas e a enfermaria que referimos.

O inventário de 1806 permite-nos conhecer a capacidade que existia nesta fase do Hospital da Divina Providência para receber doentes: nove camas para homens; quatro camas na designada enfermaria das mulheres, e vinte e oito camas das enfermarias dos soldados. Exceptuando o número de barras, ou camas, o mobiliário era escasso, uma vez que, para além daquelas, limitar-se-ia a pouco mais de duas cómodas, um armário grande e duas mesas. As peças de maior valia concentravam-se no oratório que existia no Hospital.

Sobre o destino do primeiro Hospital da Divina Providência, que passaria a ser chamado Hospital Velho, existem algumas notícias contraditórias. Sabemos que, em reunião da Mesa de 10 de Maio de 1822, foi decidido pedir autorização a D. João VI para demolirem por terra o Hospital Velho, o que não se teria concretizado; com efeito, em 1849, menciona-se o enterro de Francisco, de Vila Meã, que tinha falecido no referido hospital e, em 1857, refere-se a morte de uma mulher no Hospital Velho.

 

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