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Escola Agrícola de Artes e Ofícios (1937)

Tendo iniciado a sua actividade em 1937-1938, sucedeu ao Asilo de Artes e Ofícios Augusto César, pertencente à extinta Junta Geral do Distrito de Vila Real, e entretanto integrada na Santa Casa da Misericórdia de Vila Real, com todos os seus "bens e valores móveis" – por indicação do governador civil de Vila Real, que procurou estabelecer um novo plano de assistência no seu distrito –, e destinada a acolher os "rapazes pobres da região".

Para tal, a Misericórdia adquiriu, em Novembro de 1937, a Quinta da Petisqueira (na altura, conhecida por Quinta da Borralheira, do Camposana ou do Cosme), uma propriedade rústica nos arredores de Vila Real, tendo sido obrigada, devido à falta de meios financeiros para tal aquisição e para as necessárias obras – só o valor da aquisição rondou os 135 contos –, a contrair um empréstimo de 150 contos à Misericórdia de Murça, ao juro de 5%, amortizável em 20 prestações anuais. A Misericórdia de Vila Real viu-se ainda obrigada a financiar a criação de instalações no valor de largas dezenas de contos de réis, “sob a paternal diligência do seu bondoso director e mesário da Misericórdia, senhor João Inácio Tocaio” (Assis Gonçalves). A propriedade passou a dispor de instalação eléctrica, o que levou a Câmara de Vila Real a estender a rede de energia até à referida Quinta.

Na verdade, a Misericórdia de Vila Real “não tinha em património o valor de um escudo para exercer a sua missão de caridade fora das portas do Hospital”, uma vez que tudo o que possuía se encontrava consignado “por legados a este ramo de actividade” (Assis Gonçalves). Face a tal situação, a Misericórdia de Vila Real passou a receber subsídios anuais da Junta da Província de Trás-os-Montes e Alto Douro (40 a 50 contos de réis), da Direcção Geral de Assistência (3,5 contos de réis), do Governo Civil (entre 2 e 10 contos), das Câmaras Municipais da região (11,1 contos de réis), da Câmara Municipal de Vila Real (entre 40 a 60 contos de réis), além do rendimento da Quinta da Petisqueira em produtos agrícolas, criação de gado e venda de leite, estimado, anualmente, em mais de 25 contos de réis, mas que, na realidade, se revelou abaixo desse montante.

Aí passaram a funcionar uma escola primária, oficinas de alfaiate, sapateiro e carpinteiro, as artes de pedreiro e de moer o pão, serviços de padaria e culinária, e técnicas agrícolas.

Iniciou a sua actividade com 12 alunos que, entre os 6 e os 12 anos, frequentavam a escola de instrução primária e que, entre os 12 e os 18 anos, praticavam nas oficinas e na lavoura da Quinta.

O director da Quinta, João Tocaio, nos dois primeiros anos de existência da Escola, gastou 20 contos de réis, reparando e adaptando as casas, construindo uma “nitreira modelar”, uma pocilga e um estábulo.

Nos anos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Escola Agrícola de Artes e Ofícios, despendia anualmente, em alimentação, vestuário, granjeio da Quinta e obras nas suas instalações, uma verba que oscilava entre os 55 e os 63 contos de réis.

A Escola Agrícola de Artes e Ofícios, que desempenhou, ao longo de três décadas, um papel inestimável na educação e formação de dezenas de jovens, acabou por ser extinta em 23 de Agosto de 1967, quando aí existiam quatro alunos internados, três dos quais foram recebidos pelas famílias e ficando um a trabalhar na Quinta. Em 1979, a Quinta foi arrendada ao primeiro Politécnico de Vila Real. Posteriormente, foi loteada uma parte para habitação, continuando a outra parte, até ao presente, na posse e uso da Misericórdia.

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